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O ABANDONO DA EDUCAÇÃO FÍSICA E DO ESPORTE ESCOLAR: QUANDO A LEI É IGNORADA.   Apesar das conquistas brasileiras no cenário esportivo internacional, a Educação Física e o esporte escolar, a base fundamental para a formação esportiva e social do país, enfrentam um grave abandono. Foto Diário de notícias Maranhense, 12 de junho de 2024. Apesar das conquistas brasileiras no cenário esportivo internacional, a Educação Física e o esporte escolar, a base fundamental para a formação esportiva e social do país, enfrentam um grave abandono. Muitos desconhecem, mas a legislação nacional, reforçada pela Constituição Federal, é clara: o investimento público deve priorizar o esporte educacional. No entanto, na prática, os recursos são escassos e a infraestrutura precária, resultando na precarização da Educação Física. Como um país cuja lei exige o investimento prioritário no esporte educacional falhar na gestão do esporte escolar? Os dados confirmam a crise. O Censo Escolar de 2023 (Inep...

REBOOT POLÍTICO: BALNEÁRIO CAMBORIÚ NÃO PODE VOLTAR AO PASSADO

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Em 2026, o Brasil irá às urnas para escolher presidente, senadores, deputados federais e estaduais. Embora pareça distante, o cenário político já se movimenta. Em Balneário Camboriú, cresce a especulação sobre uma disputa direta pela vaga na Assembleia Legislativa entre dois nomes conhecidos: o ex-prefeito Fabrício Oliveira e o atual deputado estadual Carlos Humberto, ex-vice-prefeito. Segundo a imprensa local, a gestão de Fabrício Oliveira foi marcada por ineficiência em áreas cruciais como educação, saúde, segurança pública e saneamento. Por outro lado, houve avanços em infraestrutura urbana e na orla da cidade. No esporte, entretanto, sua administração foi desastrosa: a base e a infraestrutura esportiva foram abandonadas, enquanto grupos com interesses privados prosperaram com recursos públicos. O ex-prefeito também protagonizou diversas viagens a Dubai, prometendo atrair investimentos. Até hoje, não há registros concretos de retornos significativos para a cidade, o que levanta dúvi...

FUTEBOL E POLÍTICA: UMA PARCERIA QUE CUSTA CARO AO CIDADÃO

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A recente notícia de que a Prefeitura do Rio de Janeiro repassará R$ 1 milhão ao Flamengo para a disputa do Mundial de Clubes, e que o Governo do Estado também destinará valores semelhantes a Fluminense e Botafogo, levanta uma questão preocupante: até que ponto o poder público deve investir em clubes de futebol profissional? Sou flamenguista apaixonado, mas é preciso distinguir emoção de razão.  Futebol e plítica, parceria que custa caro ao cidadão. O futebol é um fenômeno cultural relevante, mas os recursos públicos deveriam estar voltados à saúde, educação, segurança e mobilidade. Áreas em que tanto o município quanto o estado do Rio de Janeiro enfrentam problemas crônicos.  Enquanto isso, os clubes cariocas registraram receitas expressivas em 2024, mas também enfrentam dívidas significativas, incluindo pendências com o setor público. O Flamengo arrecadou R$ 1,334 bilhão, mas sua dívida líquida saltou para R$ 505 milhões. O Fluminense faturou R$ 684,2 milhões, enquanto sua d...

“OFF THE KING, THE BEST, THE POWER…” E OFF TAMBÉM AS POLÍTICAS PÚBLICAS DO ESPORTE

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Nos últimos meses, a ascensão de um jovem “profeta da internet” chamou a atenção do país. Com apenas 15 anos, ele atrai multidões em cultos, promete curas milagrosas rasgando papéis e recebe doações que chegam a milhares de reais, tudo transmitido ao vivo para milhões de seguidores. O caso causou comoção e abriu debates sobre os limites entre fé, espetáculo e exploração simbólica da esperança popular. Mas esse fenômeno não está restrito aos templos. Na administração pública, especialmente na área do esporte, vemos algo semelhante acontecer: políticos transformando a paixão esportiva da população em palco para visibilidade pessoal. Em vez de investir em políticas públicas estruturadas, muitos gestores assumem responsabilidades que deveriam estar com os clubes, associações e federações. Promovendo campeonatos, bancando equipes com recursos públicos e criando “heróis municipais” à imagem da própria gestão. Essa apropriação institucional do esporte que deveria ser meio para inclusão, saúde...

BOLSA ATLETA: QUANDO O MÉRITO É LOCAL, MAS O BENEFÍCIO É IMPORTADO

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Desde sua promulgação, a Lei 3.344/2011 tem sido essencial para a estruturação do esporte em Balneário Camboriú. Programas como o Bolsa Atleta e o FundesporteBC já beneficiaram muitos atletas e entidades locais. Ainda assim, cresce a necessidade de revisar essa legislação, buscando maior eficiência, transparência e alinhamento com as demandas atuais, como apontam membros do Conselho Municipal de Esporte.  A criação da lei surgiu de uma necessidade identificada pelo grupo gestor da Fundação Municipal de Esportes da época, que, com o apoio técnico e político necessário, articulou a implantação do Sistema Municipal de Esporte. Fui o primeiro presidente do Conselho Municipal de Esporte e recebi o título de presidente emérito por liderar a implantação da lei em apenas dois meses. Originalmente, a legislação priorizava atletas e paratletas residentes em Balneário Camboriú por pelo menos dois anos. De forma excepcional, previa a concessão da bolsa a atletas de fora, desde que comprovassem...

CAMPEÕES DE DESPERDÍCIO: O ESTADO NA CORRIDA ERRADA

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Na administração pública é comum observar a confusão, intencional ou por desconhecimento, entre os papéis do Estado e das entidades privadas na execução das políticas esportivas. Muitos gestores assumem funções que caberiam ao sistema esportivo nacional, como clubes, federações e confederações. Essa distorção gera práticas ineficientes e desvios no uso de recursos públicos.  Imagem de rede social. Um dos maiores equívocos é acreditar que cabe ao poder público a gestão direta do esporte de excelência esportiva (alto rendimento). Isso resulta na chamada "esportivização" das políticas públicas, termo usado por Vaz (2021), em que práticas corporais e eventos esportivos se tornam o foco da gestão, reforçando a falsa ideia de que esporte é sinônimo de educação física, exercício físico, atividade física e saúde. Um exemplo claro dessa distorção foi o lançamento, pelo governo federal, do programa “Estratégia Nacional para o Futebol Feminino”, uma iniciativa que deveria estar sob a ...

A DUBAI BRASILEIRA E A FAVELA ESPORTIVA

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Balneário Camboriú é conhecida pelo seu luxo, arranha-céus à beira-mar e pelo apelido de “Dubai Brasileira”. No entanto, ao analisarmos o cenário esportivo local entre 2017 e 2024, o contraste entre a grandiosidade da cidade e a realidade de quem busca desenvolver o esporte é evidente. Ginásio de Esporte Governador Irineu Bornhausen (G1) Durante esse período, o poder público priorizou o esporte de rendimento e os megaeventos, deixando em segundo plano o esporte de formação e o esporte para toda a vida. Segundo dados do Portal da Transparência da Prefeitura, em 2023, a Fundação Municipal de Esporte gastou R$ 150.667,05 com seis eventos de corrida de rua realizados na orla. Esses valores incluem taxas de homologação, aluguel de banheiros químicos, tendas, grades de isolamento e repasses do FundesporteBC. Ou seja, a Fundação arcou integralmente com os custos dos eventos. A pergunta que fica é: qual foi a contrapartida oferecida pelos promotores das corridas de rua? Embora tragam visib...